QUASE NINGUÉM PRA PERCEBER!
No fim da tarde,
mais uma dúvida:
água, cerveja ou café?
A solidão em casa.
A solidão na multidão.
Mais uma dúvida:
pra onde ir,
o que escolher?
Um olhar vazio
tentando aquecer.
Um olhar vazio
tentando esquecer...
Ninguém perguntava por ele.
Há pessoas
que desaparecem devagar
sem você querer perceber.
E, ainda assim,
continuam acesas
em algum lugar
Em alguém.
Uma mulher atravessava a praça
todos os dias
com flores nos braços.
Nunca sorriu pra ninguém...
Tem certas tristezas
Que não sai no choro
Insistem em ficar e durar...
Faz frio, muito frio...
O suor escorre pelas mãos
Mas o frio verdadeiro
Não emana das ruas.
Mora nos quereres intactos.
Nos retratos virados pra baixo.
Nas palavras envelhecendo
à espera de coragem.
Eu sei
Eu sinto
Que o amor não acaba
Mas adoece sozinho...
E naquelas pinturas antigas
num museu quase vazio,
Duas pessoas dividem um pedaço de pão na calçada.
As obras valem mais que as vidas...
Vidas que insistem em sobreviver
A felicidade passa tão depressa...
Todos atentos e
E quase ninguém pra perceber.
E no fim da noite,
mais uma dúvida:
água, cerveja ou café?
Ou um corpo frio pra te aquecer?
Site Franklin Mano
Enviado por Site Franklin Mano em 22/05/2026