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DO DIA PRA NOITE (PANDEMIA)
Do dia pra noite
O lar virou foi cela
E a solidão de casa ficou mais intensa, que a solidão das ruas

Do dia pra noite
Quase tudo desacelerou, por mais que pedisse pressa
A qualquer custo, insistindo pelo viés inumano

Do dia pra noite
Quase tudo desmoronou cotações, mercados, ideologias, vaidades e crenças
E o desumano percebendo apenas que é humano

Do dia pra noite
Uns querendo abraço, outros colos, outros beijos
E muitos com raiva, outros com medo
Sozinhos apenas chorando

Do dia pra noite
Milhões, bilhões, trilhões
De visualizações, mensagens e curtidas

Do dia pra noite
Sem contato físico, espaço restrito
A internet até que enfim cobrando o preço
E o mundo real revogando o que no digital nós programamos

Do dia pra noite
Os deuses das guerras cheios de ódio, sem opção e unidos
Querendo salvar a quaisquer custos seus escravos de um vírus

Do dia pra noite
Quase tudo se humanizou
Mesmo assim quase ninguém notou a fragilidade social dos marginalizados
A fome, sede e impossibilidade de higiene dos mendigos

Do dia pra noite
Quase tudo se humanizou
O que mudou, melhorou, camuflou
O que não mudou, piorou
Mas continuaremos com ideologias, fé, tragos, goles e comprimidos
Comprimindo do dia pra noite...
Dom Franklin Mano
Enviado por Dom Franklin Mano em 21/03/2020


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Imagem de cabeçalho: jenniferphoon/flickr